Recentemente, conversando com um colega consultor, ele me confessou que um cliente lhe fez o seguinte pedido: “Precisamos que você nos ajude a calcular os parâmetros de estoque mínimo e máximo da nossa operação.”

Olhando de fora, parece uma demanda puramente matemática e técnica. Mas, ao aprofundar o diagnóstico analítico, a realidade se impôs: a empresa não possuía regularidade e nem histórico confiável do volume de vendas.

Minha resposta para esse amigo foi direta: sem um planejamento estratégico de vendas, sem o levantamento das demandas não atendidas (e os motivos reais: preço, marca, indisponibilidade) e sem clareza sobre o perfil do cliente, estabelecer esses números é pura adivinhação.

Ele me contou que lhe pediram para criar uma solução rápida: “Nós já estamos criando uma planilha para o time preencher diariamente.”

E aqui está o ponto onde a maioria das empresas falha: ferramenta nenhuma substitui a cultura e o hábito.

Não importa se a sua planilha é feita no Excel, se o seu sistema custou milhares de reais ou se você quer implementar uma Inteligência Artificial de última geração. Se o vendedor não tiver o hábito de registrar os dados e o gerente não tiver a disciplina de cobrar e auditar, a tecnologia vira um arquivo morto.

Para gerenciar um estoque com excelência, o buraco é mais embaixo. É preciso:

Ter uma política de vendas clara e ativa.

Saber exatamente o que vende e o que está encalhado.

Conhecer a fundo o comportamento do cliente e a movimentação da concorrência.

Ter um gerente que conheça o mercado, e não apenas um “chefe” que distribui ordens.

O sucesso da gestão não é sobre o que você manda fazer. É sobre o que você se compromete a acompanhar, monitorar e liderar pelo exemplo. Antes de culpar o sistema ou exigir fórmulas mágicas, arrume a cultura do seu negócio.

A sua empresa está focada em criar novas planilhas ou em construir novos hábitos na liderança?

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